Exposição | O Olhar Japonês no Brasil

Há pouco tempo comecei a correr no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. Apesar da muvuca e de o acesso não ser muito fácil de transporte público, é um parque relativamente perto para mim e é agradável praticar atividades físicas lá. Em uma das intermináveis voltas pelo lago, vi uma faixa que anunciava a exposição O Olhar Japonês no Brasil, no Pavilhão Japonês, que também fica dentro do parque.

Comentei com minha irmã que queria visitar essa exposição e ela me disse que nossa avó também queria ir. Como ela e meu avô moram bem longe do Parque do Ibirapuera, imaginei que provavelmente não iriam por conta própria.
Então, minhas irmãs e eu combinamos de levar meus avós em um final de semana. Deu certo de todos podermos ir no domingo passado, 21 de janeiro.

Ao passo que minha avó adora passear e vai em todas as excursões do grupo da melhor idade, meu avô não é muito de sair. Depois que ele começou a perder a audição, locais muito barulhentos o incomodam e, às vezes, temos de insistir para que ele vá com a gente em algum passeio.

Dessa vez não foi diferente, mas ele acabou concordando em ir. Aos finais de semana há muita gente andando de skate e patins sob a Marquise, o que gera bastante ruído, e tínhamos de passar por ali para chegarmos à exposição. Meu avô ficou olhando um pouco desconfiado para o bando de jovens e, para distraí-lo do barulho, perguntei a ele se já tinha ido ao Parque do Ibirapuera. Ele disse: "Ah, faz uns 50 anos que vim aqui! Mas é a primeira vez que vou ao Pavilhão Japonês."

Levei um pouco menos de tempo que meu avô, mas para mim também foi a primeira ida ao Pavilhão Japonês.
Localizado ao lado do Planetário, ele fica bem às margens do lago do parque e, por estar um pouco distante da pista principal, é bem silencioso, o que combina com a atmosfera do local.

Dividido em dois blocos ligados por uma ponte de madeira, o Pavilhão Japonês contém um jardim zen estilo japonês (fotos acima) e um jardim brasileiro (foto abaixo), um de cada um lado da ponte.
A arquitetura lembra a de templos budistas/xintoístas japoneses, com linhas retas e bastante uso de madeira.

A exposição está dividida em temas: Arte Craft, Bonsai, Ikebana e Música Clássica.
A parte de que mais gostei foi a de Arte Craft, que mostra peças feitas com diversas técnicas, como cerâmica, tingimento de tecidos, utensílios laqueados, entre outros.
Há itens bastante antigos, como esculturas do século V, e outros mais recentes, dos Períodos Azuchi-Momoyama (século XV) e Edo (séculos XVII a XVIII); além das produções de artistas plásticos nikkey (descendentes de japoneses). Esses objetos estão expostos no andar térreo do primeiro bloco.
 (Mas não era permitido fotografar nessa área :P)

No segundo andar encontramos hana-ningyô, bonecas arrumadas sobre tecido vermelho em uma estrutura em formato de escada que são representativos do Dia das Meninas (3 de março) no Japão.
As bonecas representam a corte japonesa: imperador, imperatriz, serviçais e músicos, todos com roupas do período Heian (séculos 8 a 12).
Não sei se o hana-ningyô fica exposto permanentemente, mas é bem bonito e vale a pena a visita para quem não conhece.

Aos sábados (15h00) e domingos (11h00) há concertos de música clássica japonesa.

Há também Ikebana (arranjos florais) dispostos por todo o Pavilhão. O arranjo da foto abaixo faz parte da composição de uma cerimônia do chá.

Da varanda do segundo andar é possível apreciar as coloridas carpas e ouvir o barulho da água corrente.
Nem preciso dizer que essa foi a parte de que meu avô mais gostou... :)

Na parte externa do Pavilhão estavam os Bonsais. Diferentemente do que podem pensar, Bonsai não é um tipo de árvore, é a técnica de cultivar uma planta em miniatura.

Assim como no Ikebana, há uma série de estilos de Bonsai, em que variam as formas gerais e a composição no vaso, além de diferenças nos troncos, galhos e raízes.
Qual das formas é a melhor? Não é possível dizer, pois isso depende de cada observador.

Além dos Bonsais, há também esculturas no jardim do Pavilhão Japonês.

Há um minibazar de peças em cerâmica de artistas que tiveram suas obras selecionadas para a exposição.
Minha avó, que é louca por uma lembrancinha, já aproveitou para garantir mais um potinho para a coleção ;)

E, por fim, a galera toda reunida (gracias Douglas pela foto!).

Para quem quiser conferir a exposição, precisa correr: ela vai até o próximo domingo (28 de fevereiro).

Info | O Olhar Japonês no Brasil
De 21 de janeiro a 28 de fevereiro de 2016
Visitação: quarta-feira, sábado e domingo (aberto dias 21, 22 e 25; quinta, sexta e segunda-feira, pelo aniversário de São Paulo)
Horário: das 10h às 12h e das 13h às 17h
Contribuição: R$ 5,00 a R$ 10,00 (isento para crianças até 4 anos e idosos acima de 65 anos)