Por que costurar?

Como já disse no post "Handmade", minha família tem um pé no craft e DIY. 
Papis e tios gostam de marcenaria e são pau para toda obra, desde trocar lâmpada a instalar ventilador de teto – quando estão de bom humor, é claro.
Por outro lado, mamis, primas, tias e avós me ensinaram muitas técnicas: pintar, mexer com papel, bordar, crochetar, tricotar, entre outras coisas.

Mas o que sempre me deixou mais fascinada é a costura. Acho mágico o fato de um pedaço de tecido e linha poderem se transformar em várias coisas completamente diferentes.

Essa curiosidade quanto à costura pode ter surgido das tardes que passei no quartinho de costura da minha avó.

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Lá tem uma Singer bobina mágica com gabinete bem embaixo da janela (essa da foto acima). Esse quartinho da costura é todo adaptado para facilitar o trabalho: luz natural da janela durante o dia, lâmpada em cima da máquina para costurar à noite, tábua de passar bem ao lado... Minha avó é uma pessoa muito muito acumuladora (mas ultimamente até que está tentando se conter), então, além de tudo isso, lá sempre teve muitos retalhos (além de botões, elásticos, linhas, aviamentos, etc...) por todos os lados.

Ela fez curso de corte e costura quando nova e costurou muitas roupas para a família. Minha mãe e meus tios vestiram várias peças feitas por ela; e contribuiu para o sucesso de fantasias de peças da escola, vestidos de formatura e ajustes em todo tipo de roupa.

Há alguns anos, ela arrumou não sei onde uma outra Singer, dessa vez uma "pretinha", que só faz costura reta e não tem motor, é apenas no pedal. Até hoje não me entendo com essa máquina, rs

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Minha mãe sempre encorajou minhas irmãs e eu quando tínhamos vontade de aprender alguma manualidade. Vendo que eu tinha interesse pela máquina de costura, me ensinou a passar a linha e o básico para começar a costurar: como encher a bobina, usar o pedal, fazer retrocesso... e por aí vai.

Fiz algumas roupas para bonecas, bolsinhas e fiquei um bom tempo sem mexer na máquina, até que, quando estava no segundo ano do ensino médio, aos 16 anos, minha mãe ficou sabendo de um curso do Senai chamado Pilotagem de máquina industrial. Fizemos o tal curso juntas, mas separadas: ela na turma da manhã e eu à tarde.
Costurar exige algumas habilidades, e uma delas é saber como usar a máquina de costura (seja doméstica, reta, overloque, interloque, galoneira...). O curso focava nessa parte, em como "pilotar" alguns dos diversos tipos de máquina de costura industrial.

Até então, só conhecia máquinas domésticas, de modo que foi uma experiência muito enriquecedora. Pude entender como funciona a máquina, quais são os possíveis problemas e aprender recursos utilizados na indústria têxtil.
Por outro lado, entendi na prática que, em uma fábrica, o que importa é produção. Números, quantidade.

Eu escolhi ir por outro caminho. Que prefere qualidade a quantidade. Que valoriza o tempo mas não é escravo dele. Que pensa em como desenvolver seu estilo próprio e não em copiar. 

 {continua...}