Handmade <3

Handmade, ou seja, feito à mão, é sempre melhor? Nem sempre, mas poucas coisas se comparam com a satisfação de abrir o pacote e se deparar com algo praticamente exclusivo (já que mesmo outros produtos feitos da mesma maneira pelas mesmas mãos terão alguns detalhes diferentes – que muitas vezes só quem fez sabe quais são), seja produzido em casa ou comprado, mas que foi feito com amor, carinho e dedicação.

Quando criança, não era de brincar com bonecas de pano, gostava mesmo era das Barbies. Fiz roupinhas para elas junto com minhas irmãs, só que achava as que comprava nas lojas mais bonitas. Queria fazer as roupas na máquina de costura, mas morria de medo de costurar o dedo e acho que nunca enchi a paciência da mamis e da bá (aka: avó) para elas me ensinarem a sério, por isso só fiz uns pontinhos e logo parei com as aventuras costurísticas.

Na minha família todo mundo sabe fazer alguma coisa. A bá costura(va) muitas roupas para mamis e os tios, e fez algumas coisas para nós também (além das infinitas barras em calça jeans e ajustes): um conjunto de pijama e capa de travesseiro, os vestidos de formatura da irmã mais nova e da prima. Já ganhamos muitos coletes de tricô feitos pelas tias-avó e uma vez o presente de natal de todas as meninas foram biquínis de crochê da cor escolhida por cada uma (preciso achar as fotos dessa época!). Mamis também sempre teve uma coceirinha na mão que não a deixa ficar quieta. Em casa tem material de um pouco de cada coisa: costura, tricô, crochê, papel vegetal, bordado, origami... Ela diz que só não é muito chegada em tintas, porque faz muita bagunça e meleca. Os homens não ficam de fora, os tios e o papis têm um "quê" de marceneiro e já fizeram muitas prateleiras e alguns móveis.

Foi principalmente por causa dessa grande família que peguei gosto por trabalhos manuais. Fomos mamis, irmã do meio e eu aprender ponto cruz em um bazar da cidade natal; a prima me ensinou crochê, esqueci tudo e mamis me ensinou de novo, esqueci mais uma vez e fui salva pelo youtube; perdi o medo da máquina e fui costurar uma bolsinha para levar a marmita para a escola (que saiu incrivelmente torta, mas cumpria sua função)... Gostaria de aprender muito mais técnicas, mas cada coisa no seu tempo, né.

Frequentei muita feirinha de artesanato e, das muitas barracas, poucas tinham coisas que chamavam a atenção, seja por ser novidade ou por ser feito com capricho. Depois da internet, veio a descoberta de que o artesanato das feirinhas poderia ter uma nova cara e um novo nome: craft. Depois dos blogs, do Etsy, do Pinterest, às tudo parece ter mais ou menos a mesma cara de novo – do mesmo jeito que acontece nas feirinhas, alguém tem uma boa ideia e muitos passam a "se inspirar" –, mas aí você entra em uma nova página e o encantamento recomeça. Você vê um trabalho feito com amor, carinho e dedicação e se apaixona de novo. E pensa que vale a pena fazer as coisas com as próprias mãos porque, lá fora, tem alguém pensando como você.

Como não gostar do que é handmade?

Beijos,
Cris

PS: o post que me inspirou foi esse da Emy (Tofu Studio) no Superziper, mas acabei fugindo totalmente do que imaginava escrever quando reli o post hoje... o que não é a memória afetiva.